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Assessoria a Estrangeiros
Foreign Investor Advisory
Assessoria a Estrangeiros · Direito Imobiliário
Foreign Investor Advisory · Real Estate Law
Compra de imóveis no Brasil por estrangeiros: o que a lei permite e o que exige
Purchasing real estate in Brazil as a foreigner: what the law allows and what it requires
Falcone & Perruci Advogados
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Assessoria a Estrangeiros
Foreign Investor Advisory
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Abril 2026
A aquisição de imóveis no Brasil por estrangeiros é perfeitamente legal e relativamente simples quando se trata de imóveis urbanos. No entanto, existem restrições importantes — especialmente para propriedades rurais — e exigências documentais e cambiais que precisam ser cumpridas para que a compra seja válida, registrável e permitida a eventual remessa dos recursos ao exterior quando da venda futura.
Ignorar essas regras não é apenas um risco jurídico abstrato: pode significar a nulidade do negócio, a impossibilidade de repatriar o capital investido ou a autuação por evasão cambial. Entender o regime jurídico aplicável é, portanto, o primeiro passo de qualquer aquisição imobiliária por estrangeiro no Brasil.
Imóveis urbanos: liberdade com documentação adequada
Para imóveis urbanos — apartamentos, casas, salas comerciais, galpões industriais — não há restrição legal à aquisição por pessoa física ou jurídica estrangeira. O estrangeiro não residente pode comprar um imóvel urbano no Brasil desde que possua CPF ativo e utilize recursos cambialmente regularizados, isto é, ingressados no país por meio do sistema financeiro com o correspondente contrato de câmbio registrado.
A escritura pública de compra e venda é lavrada pelo tabelião de notas brasileiro e o registro é feito no Cartório de Registro de Imóveis competente — exatamente como ocorre para compradores brasileiros. Não há qualquer diferenciação no título de propriedade: o estrangeiro torna-se proprietário pleno com todos os direitos e obrigações inerentes.
Imóveis rurais: restrições severas que exigem atenção
O quadro muda radicalmente quando se trata de propriedades rurais. A Lei 5.709/1971, regulamentada pelo Decreto 74.965/1974, impõe limitações expressas à aquisição de terras rurais por estrangeiros pessoas físicas e por pessoas jurídicas brasileiras controladas por estrangeiros. As principais restrições são:
- Limite por módulo de exploração indefinida (MEI): o estrangeiro não pode adquirir mais de 50 módulos fiscais de terra rural por município, nem mais de três módulos fiscais em área contígua;
- Limite nacional por país de origem: a soma das terras rurais adquiridas por nacionais de um mesmo país não pode ultrapassar 25% da área total do município;
- Autorização do INCRA: acima de determinados limites, a aquisição depende de autorização prévia do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária;
- Áreas de fronteira e segurança nacional: aquisições em faixa de fronteira (150 km da linha de divisa do Brasil) por estrangeiros ou empresas sob controle estrangeiro estão sujeitas a restrições adicionais previstas na Lei 6.634/1979.
A interpretação dada pelo Parecer AGU/LA-01/2010, vinculante para a administração pública, estendeu as restrições da Lei 5.709/1971 às pessoas jurídicas brasileiras cujo controle societário pertença a estrangeiros — o que afeta diretamente estratégias de aquisição rural por meio de holdings nacionais.
O ingresso dos recursos e o registro cambial
Para que o estrangeiro possa repatriar os valores obtidos na venda futura do imóvel, os recursos utilizados na compra devem ter ingressado no Brasil de forma regular, com contrato de câmbio celebrado junto a instituição financeira autorizada pelo Banco Central. O registro desse ingresso é feito no sistema RDE-ROF (para empréstimos e operações financeiras) ou no SISBACEN, dependendo da natureza da operação.
Sem esse registro, o estrangeiro fica impossibilitado de remeter ao exterior, no futuro, o produto da venda do imóvel — ficando sujeito apenas às regras de pagamento em reais no mercado interno. Esse ponto é frequentemente ignorado por quem compra imóvel no Brasil sem assessoria especializada e só percebe o problema no momento da venda.
Tributação na aquisição e na venda
Na aquisição, o comprador paga o ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis), de competência municipal, com alíquotas que variam entre 2% e 4% sobre o valor venal do imóvel — sem distinção entre compradores nacionais e estrangeiros.
Na venda futura, o ganho de capital apurado pelo estrangeiro não residente sujeita-se à tributação pelo IRRF com alíquotas progressivas entre 15% e 22,5% sobre o ganho líquido (art. 21 da Lei 8.981/1995 c/c Instrução Normativa RFB nº 1.455/2014). O recolhimento é de responsabilidade do adquirente brasileiro, que deve reter e recolher o imposto no momento do pagamento. Quando o vendedor for pessoa jurídica estrangeira, aplicam-se regras específicas de preços de transferência e CSLL que devem ser avaliadas caso a caso.
Estratégias de estruturação para o investidor imobiliário estrangeiro
Dependendo do volume e do perfil do investimento, pode ser mais vantajoso adquirir imóveis por meio de uma pessoa jurídica constituída no Brasil (Ltda. ou S.A. com capital estrangeiro), o que simplifica a gestão tributária, facilita o financiamento bancário e permite a estruturação de portfólios imobiliários com gestão centralizada. Essa estrutura também pode oferecer vantagens em termos de successão e transferência de patrimônio.
Outra alternativa são os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs), que permitem ao estrangeiro exposição ao mercado imobiliário brasileiro com liquidez e diversificação, sujeitos a regras tributárias próprias para investidores não residentes.
"A compra de um imóvel no Brasil pode ser o primeiro passo de um investimento duradouro no país — desde que feita com a documentação e o planejamento cambial corretos desde o início."
Como o escritório pode ajudar
O Falcone & Perruci Advogados assessora investidores estrangeiros em todas as etapas da aquisição imobiliária no Brasil: due diligence do imóvel, análise das restrições aplicáveis, estruturação do ingresso cambial, elaboração e revisão da escritura, acompanhamento do registro e planejamento tributário da operação. Entre em contato para uma consulta inicial.
The purchase of real estate in Brazil by foreigners is perfectly legal and relatively straightforward for urban properties. However, there are significant restrictions — particularly for rural land — along with documentary and foreign exchange requirements that must be met for the transaction to be valid, registerable, and to allow future repatriation of capital upon resale.
Ignoring these rules is not merely an abstract legal risk: it can result in the nullity of the transaction, the inability to repatriate invested capital, or penalties for foreign exchange violations. Understanding the applicable legal framework is therefore the essential first step of any real estate acquisition by a foreigner in Brazil.
Urban real estate: freedom with proper documentation
For urban properties — apartments, houses, commercial units, industrial warehouses — there is no legal restriction on acquisition by foreign individuals or entities. A non-resident foreigner may purchase urban real estate in Brazil provided they hold an active CPF (Individual Taxpayer ID) and use funds that have been properly brought into the country through the financial system with a corresponding foreign exchange contract registered with the Central Bank.
The public deed of sale is executed by a Brazilian notary and registered at the competent Real Estate Registry — exactly as for Brazilian buyers. There is no distinction in the title of ownership: the foreigner becomes the full owner with all associated rights and obligations.
Rural real estate: significant restrictions requiring careful attention
The picture changes dramatically when it comes to rural properties. Law 5,709/1971, regulated by Decree 74,965/1974, imposes explicit limitations on the acquisition of rural land by foreign individuals and by Brazilian legal entities controlled by foreigners. The principal restrictions are:
- Limit per fiscal module: a foreigner may not acquire more than 50 fiscal modules of rural land per municipality, nor more than three fiscal modules in contiguous areas;
- National limit by country of origin: the aggregate rural land held by nationals of a single country may not exceed 25% of the total municipal area;
- INCRA authorization: above certain thresholds, acquisition requires prior approval from the National Institute for Colonization and Agrarian Reform;
- Border and national security areas: acquisitions in the border zone (150 km from Brazil's boundary) by foreigners or foreign-controlled entities are subject to additional restrictions under Law 6,634/1979.
The interpretation established by AGU Opinion LA-01/2010, binding on the public administration, extended Law 5,709/1971 restrictions to Brazilian legal entities whose controlling interest belongs to foreigners — directly affecting rural acquisition strategies through domestic holding companies.
Bringing funds into Brazil and foreign exchange registration
For the foreigner to be able to repatriate the proceeds from a future sale of the property, the funds used in the purchase must have entered Brazil through the regulated financial system, with a foreign exchange contract executed with a Central Bank-authorized institution. The registration of this inflow is made through the RDE-ROF system (for loans and financial operations) or SISBACEN, depending on the nature of the transaction.
Without this registration, the foreigner will be unable to remit the sale proceeds abroad in the future — being confined to collecting payment in Brazilian reais. This point is frequently overlooked by those who purchase property in Brazil without specialized counsel and only discover the problem at the time of sale.
Taxation on acquisition and sale
At acquisition, the buyer pays ITBI (Real Estate Transfer Tax), a municipal tax with rates ranging from 2% to 4% of the assessed value — with no distinction between domestic and foreign buyers.
At future sale, capital gain realized by a non-resident foreigner is subject to withholding income tax at progressive rates of 15% to 22.5% on net gain (Art. 21, Law 8,981/1995 combined with Normative Instruction RFB No. 1,455/2014). The tax must be withheld and remitted by the Brazilian buyer at the time of payment. When the seller is a foreign legal entity, specific transfer pricing and CSLL rules apply and must be analyzed on a case-by-case basis.
Structuring strategies for the foreign real estate investor
Depending on the volume and profile of the investment, it may be more advantageous to acquire properties through a Brazilian legal entity (Ltda. or S.A. with foreign capital), which simplifies tax management, facilitates bank financing, and enables the structuring of real estate portfolios with centralized management. This structure can also offer succession and wealth transfer advantages.
Another option is investment through Real Estate Investment Funds (FIIs), which allow foreigners to gain exposure to the Brazilian real estate market with liquidity and diversification, subject to specific tax rules for non-resident investors.
"Purchasing real estate in Brazil can be the first step of a lasting investment in the country — provided it is done with the correct documentation and foreign exchange planning from the outset."
How our firm can help
Falcone & Perruci Advogados advises foreign investors at every stage of real estate acquisition in Brazil: property due diligence, analysis of applicable restrictions, foreign exchange inflow structuring, deed preparation and review, registration monitoring, and transaction tax planning. Contact us for an initial consultation.